quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A Grécia e o Superavit Primário

Dá para explicar um, entendendo o outro. Isso porque a definição oficial de Superavit Primário é a diferença entre o que o governo arrecada e o que ele gasta. Ou seja, é aquele dinheiro que sobra no fim do mês depois que você paga todas as contas.


Não é o caso da Grécia. Depois de muitos anos de dívidas empurradas com a barriga, a situação econômica desse país chegou ao estado em que vemos no noticiário. Protestos violentos, greves, desemprego. Isso acontece devido a uma política adotada por alguns governos. 


Na última década, a Grécia pegou empréstimos pesados para sustentar os gastos com o funcionalismo público, do qual os salários praticamente dobraram, o que, claro, deve ter rendido muitos votos na época. E enquanto os gastos aumentavam, a renda diminuía cada vez mais graças à redução drástica da arrecadação de impostos, o que também deve ter rendido muitos votos na época.


O que os gregos não sabem, mas eu e você sabemos, é que quando se passa muito tempo gastando mais do que se ganha é difícil equilibrar as contas. Como a dívida grega começou a subir de forma alarmante, o país começou pegar empréstimo com juros cada vez mais altos por causa da desconfiança dos credores. 


No início do ano passado, a Grécia recorreu a um pacote bilionário de ajuda do FMI e da União Européia para tentar reorganizar as contas do país. Mas, para ter acesso ao fundo, o governo precisou botar em prática uma política de contenção de custos que não agradou os gregos, acostumados com a vaca louca gorda dos últimos anos. Resultado, corte de salários, desemprego e muita confusão.


Na última semana, uma reunião dos países da zona do euro perdoou metade da dívida da Grécia para evitar um calote que geraria consequências desastrosas, visto que outros países enfrentam problemas parecidos, como Portugal, Itália e Irlanda. 


Mas a lei de Murphy não perdoa. O primeiro ministro grego George Papandreou, anunciou que vai marcar um plebiscito para janeiro do ano que vem para que os gregos decidam se aceitam ou não as medidas da União Européia. O que ele quer dizer com isso? Vamos esperar para descobrir.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Derivativos

O nome pode confundir, mas o significado é simples. O que são derivativos? São contratos ou títulos, os ativos financeiros, cujo valor depende completa ou parcialmente do valor de outros ativos. É uma forma de obter ganho financeiro em algumas operações para compensar uma eventual perda em outras atividades econômicas. O nome derivativo vem justamente do atrelamento do valor dos ativos, porque o preço de um ativo deriva de outro. Eles são usados pelos investidores para se proteger das ocilações de preço do mercado futuro (esses são os chamados hedgers) e, também, para alevancar suas posições no mercado (especuladores).

Assista abaixo a uma videoaula sobre os conceitos básicos dos derivativos:

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

SELIC vs. IPCA

Neste post vamos revelar a conturbada relação entre dois monstros da economia brasileira. Para início de conversa é bom explicar o que significam as siglas. O Sistema Especial de Liquidação e de Custódia e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, vulgos SELIC e IPCA, funcionam como uma espécie de reguladores do consumo no país.

A SELIC é a taxa básica de juros definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central , o COPOM. Ela influencia a disposição que você e eu temos para comprar. Isso porque a taxa determina o volume de concessão de crédito no mercado, o que influencia diretamente no consumo.

É aí que entra o IPCA. O índice mede o equilíbrio entre consumo e produção. E a taxa de juros pode estimular ou desestimular esse consumo de acordo com a capacidade do mercado. Mas quando a taxa sobe ou desce bruscamente gera um desequilíbrio na economia.

A inflação é resultado desse processo. Quando a taxa de juros desce bruscamente, o consumo aumenta mais do que a capacidade de produção do mercado pode acompanhar. E aí, quanto mais procura e menos produtos disponíveis, maior o preço. Vem daí aquele sentimento de que o seu salário escorre pelos seus dedos.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

PL-116

O projeto de lei 116 (PL-116), que permite que concessionárias de telefonia entrem no mercado de TVs por assinatura, foi aprovado pelo Senado nesta terça sob fortes críticas da oposição. Além da entrada das Teles no seguimento de TV paga, o projeto prevê a regulamentação do conteúdo nacional na programação das emissoras. O relator do projeto, senador Walter Pinheiro (PT-BA), explica as polêmicas que envolvem o projeto de lei.

EE - O projeto está cercado de muitas dúvidas com relação à estrutura do setor audiovisual com a entrada das Teles. Como vai funcionar a nova organização das empresas do setor?

WP -

EE - O texto do projeto prevê a abertura do mercado para empresas estrangeiras. Qual o limite de participação das companhias internacionais com relação a produção de conteúdo e distribuição?

WP -

EE - Uma questão que já foi discutida muitas vezes no Brasil tem a ver com a participação de capital estrangeiro no setor audiovisual. No projeto de lei, o uso de capital estrangeiro fica liberado para as distribuidoras, desde que a gestão seja feita no Brasil. Não existe a possibilidade das companhias estrangeiras controlarem indiretamente a produção do conteúdo?

WP -

EE - A questão mais polêmica do projeto, que foi duramente criticado pela oposição, é a imposição de uma cota de conteúdo nacional, a ser fiscalizada pela Ancine. Não há inconstitucionalidade em delegar à Ancine a regulamentação da produção audiovisual?

WP -

EE - A base governista defende o projeto alegando que a PL-116 aumentaria a concorrência, favorecendo o consumidor. A cota de produção nacional no horário nobre, exigida pelo texto da lei, não pode induzir as programadoras a investir em conteúdo nacional de baixa qualidade?

WP -

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Economia Solidária



Vídeo da Campanha Nacional de Divulgação da Economia Solidária.

Entenda a crise americana

Sim, é mais simples do que você pensa. Tão simples quanto um conto de fadas. Era uma vez um país onde todos os sonhos se tornavam realidade (?). A única parte difícil dessa história é determinar onde exatamente o reino encantado começou a ruir. Mas como o assunto é crise econômica, vamos começar assim:

As coisas estavam indo bem nos Estados Unidos da América. A economia era forte e confiável. O consumo era alto, o crédito, farto. A confiança era tão grande que os bancos começaram a emprestar muito dinheiro para pessoas que, sabidamente, poderiam ter problemas para pagar as contas. Foi a chamada crise do subprime. A alta inadimplência no setor imobiliário gerou um efeito dominó que, em 2008, derrubou importantes instituições financeiras, como o tradicional banco de investimentos Lehman Brothers, e bolsas do mundo inteiro. Para conter uma quebradeira geral e irrestrita, o governo americano começou a injetar grandes quantias de dinheiro no mercado para estimular a recuperação da economia.

Assim chegamos à crise de 2011. E todo aquele dinheiro despejado pela Casa Branca não fez o efeito desejado. A economia não se recuperou e os EUA, oficialmente em recessão, atingiram o limite de endividamento. Em outras palavras, a fonte secou e as contas se acumularam.

Para se livrar da saia justa de um calote, a única solução seria aumentar o teto da dívida americana. O problema é que, para isso, era preciso desempacar um burro e um elefante. Os partidos Republicano e Democrata fizeram da salvação um martírio.

As disputas políticas, perigosamente em cima do vencimento das contas, fizeram com que uma (questionável) agência de classificação de risco rebaixasse a nota americana. E nada como uma nota baixa para assustar investidor. As bolsas all over the world tiveram desempenho desastroso e o medo ainda paira no ar.

No fim das "contas", o teto da dívida foi aumentado. Mas com confiança é aquela história, quando se perde demora a recuperar. Alguém já disse que no fim tudo dá certo, se não deu é porque ainda não acabou.

Tomara!